Ser pragmático
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Neste mundo em permanente mutação, muda também a forma como se fazem os negócios e as inter-relações entre diferentes sectores de actividade, seja por contingências legais, por afastamento de sectores ou obsolescência tecnológica, entre muitos outros.
A área dos patrocínios está sujeita a estas mesmas limitações, e por isso se analisarmos com algum rigor detectamos padrões de investimento de sectores específicos ao longo dos tempos. Hoje em dia podemos resumir a 3 os sectores com apetência para apostar, de forma consistente e transversal, no futebol: cervejas (por ex: Sagres) ; telecomunicações (por ex: Vodafone) ; apostas on-line (por ex:online soccer betting. As cervejas Sagres e SuperBock, respectivamente da CentralCer e Unicer, em particular desde os anos 80, disputam a liderança do gigantesco mercado português, numa guerra que parece estar para durar, e após algum abrandamento no sponsoring de ambas no final da década de 90, a aposta recente veio em força, a que acresce ainda o patrocínio da Carlsberg à Taça da Liga. A guerra está de tal maneira que já se rasgam contratos com um dos pretensos líderes para “assinar” pelo outro. É um mercado gigantesco, em luta permanente por migalhas em quota de mercado que vale milhões, e que "liga" muito bem com o futebol. No que diz respeito ao sector das telecomunicações, o seu apogeu deu-se há alguns atrás, quando o mercado português de comunicações móveis ainda estava em crescimento, mantendo-se contudo um elevado investimento fruto da constante inovação tecnológica no sector que provoca um consumo repetitivo do mesmo. As telecomunicações são um player fundamental no mercado de sponsoring desportivo. E chegam por fim as apostas on-line… que são nem mais nem menos que o maior “apostador” neste momento em termos de patrocínio no futebol a nível europeu e que se encontra afastado, por matérias legais, do mercado português, depois de curiosamente ter sido aqui dado o primeiro grande passo, com a criação da Liga BetandWin e posteriormente Bwin Liga, a nível mundial, em termos de aliança entre apostas e desporto.Na altura, esse facto, levou-me a acreditar que Portugal poderia aproveitar este mercado, sendo pioneiro e cavalgando a onda das apostas aproveitando o habitual "deixa andar" português. No entanto, os últimos desenvolvimentos, que se reportam à guerra entre a SCML e as diferentes casas de apostas, não me fazem acreditar que o futuro possa ser muito positivo neste capítulo. Nestes tempos de crise profunda, com o mercado de apostas on-line a registar um crescimento exponencial e em que o seu apetite por “antena” e por investir em imagem que posteriormente lhe dará retorno é enorme, o mercado de patrocínios desportivos português não pode, legalmente, aproveitar essa realidade que atravessa a Europa de desde os Urais até à Extremadura Espanhola. Por isso, custa ver 5 ou 6 clubes da Liga Sagres (cá está a cerveja!), uma competição teoricamente altamente profissionalizada, sem patrocinador nas camisolas, quando poderiam ter lá algo como check out BetUS sports betting, obter um significativo encaixe financeiro, e dessa forma aumentarem os seus níveis de competitividade. Compreendo a posição da SCML, que na realidade mais não faz que defender os seus direitos, legalmente consagrados. O que me parece é que deve haver uma clara discussão deste assunto, legislar-se sobre o mesmo (não vale a pena enterrar a cabeça na areia e dizer que é proibido apostar on-line em Portugal quando milhões e milhões de euros são apostados por portugueses dessa forma, saíndo do país para o exterior) e discutir qual a legitimidade da SCML para ter o monopólio do jogo. E deixo então a questão à SCML: porque não “entrar no jogo”, com toda a imagem e know-how existentes, e aceitar que possa haver outros players no mercado. E ir a jogo, claro. Por exemplo, patrocinando o futebol. |












